Primeiro Ato - Cena I: A Xícara de Café Divina

A Paz é uma amante frágil

Como posso dizer isso? Eu honestamente quero matar aquele palhaço psicótico. Não, não apenas matar, mas trucidar e despedaçar. Eu vou envenená-lo, castrá-lo, esfaqueá-lo, desmembrá-lo,
esquartejá-lo e queimar o que restar com vida. Mas, perdoem-me, eu estou fugindo do assunto...

Vejamos, eu acordei hoje de manhã com uma enxaqueca tremenda. Nem o mais poderoso feitiço de cura que estava em meu arsenal foi capaz de sequer abrandá-la. E o único culpado por isso é o meu psiquiatra, aquele acéfalo. Afinal, de que adianta ter um médico se ele mal receita analgésicos para aliviar minhas dores mentais?

Aparentemente, o problema consiste no meu sentimento de culpa, e isso, combinado com todo o esforço mental que eu sofro para conjurar meus feitiços, provoca uma espécie de exaustão em meu cérebro, ou assim ele me falou.

Me levantei da minha cama real (muito mais cedo do que o normal), só para descobrir que minhas pernas não sustentavam meu peso. Amaldiçoei todos os deuses e voltei para cama num só pulo. Bem, "pular" não seria o termo apropriado para o que eu fiz. Na verdade, eu me atirei nela.

Fabuloso, eu pensei, meu corpo já protestando contra a falta de cafeína matinal. Se bem que, eu não tomo uma boa xícara faz semanas, e foi aí que uma coisa me atingiu. Era tão óbvio! Abstinência! A enxaqueca era a respota física do meu organismo à falta de cafeína. Fiquei um tanto feliz com a descoberta, mas ainda não conseguia levantar um dedo sequer. Por alguns minutos, eu simplesmente fiquei deitado encarando o teto de mármore preto da minha suíte.

Após este pequeno contra-tempo matinal, eu estava decidido a tomar o meu café matutino, e nada, nem ninguém iria me impedir. Voei no meu dragão prateado até Alexandria, onde eu possuía certa popularidade e crédito, e assim que aterrisamos, fui direto para o pequeno Coffee Shop localizado em uma das praças da capital.

E incrivelmente, não fui reconhecido por ninguém ali - embora sendo alvo de todos os olhares confusos, temerosos, invejosos etc, do lugar - mas estava muito cansado para sorrir e proferir algumas poesias com a intenção de encantar, e muito desesperado pela minha xícara para me importar. Necessidades próprias em primeiro lugar, eu sempre me digo.

De repente, parei no meu caminho para observar uma cena mais que incomum: a Senhorita Elefante, Rainha Brahne - em pessoa - se sentava no balcão, aparentemente embriagada. Agora, como alguém pode estar embriagado numa loja onde só se vende café, não faço a mínima ideia.

Eu devo ter ficado visivelmente perplexo com a cena, pois a própria beberrona me encarava com um olhar confuso. Então os olhos se alargaram, e seus lábios formaram um bico. Apontando para mim, ela gritou:

"Você é tão linda! E cheirosa também!", as bochechas já estavam rubras, e de repente se tornou confusa novamente, levando uma mão ao queixo. "Você me é familiar... Quem é você?"

Linda? Cheirosa? Esquecimento alcoólico? E uma pequena lâmpada se acendeu na minha cabeça, enquanto um sorriso maligno se manifestava em meus lábios. Quem diria, isso pode dar certo, afinal... Sorri lindamente - e falsamente - para ela.

"Mas, oras, eu sou a Deusa do Café em pessoa! Ah," e fiz uma leve reverência, servindo-lhe uma xícara de café e oferecendo a ela. "aqui está, majestade."

"Ah, obrigada." Ela aceitou e bebeu o líquido num só gole.

"À propósito, isso vai lhe custar 9999 Gil." Juntei minhas mãos, sempre sorrindo.

"Ah, aqui está..." sem demorar muito, ela levou uma mão à pequena bolsa e retirou a determinada quantia em dinheiro vivo, entregando-a a mim.

Fabuloso! "Mas, me diga, vossa majestade já provou o meu delicioso café? Vamos, prove uma xícara." E enchi a mesma xícara da qual ela havia bebido, servindo-lhe novamente.

"Ah, como você é gentil. Obrigada." E ela bebeu tudo com muita ânsia.

"Sim, à propósito, isso vai lhe custar 9999 Gil." Repeti meu gesto com as mãos, e novamente ela me pagou.

Voltei para o meu palácio rindo tanto, e carregando uma quantia exorbitante de Gil em mãos. Certo momento, eu me lembro de ter rido tanto que comecei a sentir dores no abdômen e quase caí do dragão prateado.

Mas Kuja, e quanto à sua enxaqueca?, você me pergunta. Acontece que eu esqueci o melhor remédio contra a tal: um pouco de enganação e improviso, combinados com certo egoísmo e auto-confiança.

MWAHAHAHAHAHA!

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